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sábado, 8 de agosto de 2015

DEPUTADO DUQUINHA DIZ QUE RADIALISTA ASSASSINADO EM CAMOCIM NÃO VALIA NADA

Postado Por: ADRIANO FURTADO  |  Em:

No dia seguinte ao assassinato do radialista Gleydson Carvalho, o deputado Manoel Ducca (PROS) disse, sorrindo, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, que "ele não valia nada". Carvalho foi morto a tiros nesta quinta-feira, 6, no estúdio da rádio onde trabalhava, na cidade de Camocim, a 379 km de Fortaleza.
O deputado, conhecido como Duquinha, é 2º secretário na Assembleia, mas presidia a sessão quando o deputado Ely Aguiar (PSDC), que é radialista, rendia uma homenagem à vítima e chamava a atenção para o elevado número - cinco - de profissionais do rádio assassinados no último ano. Foi quando fez um aparte. "Com todo respeito a você, Ely, mas esse era coisa muito ruim esse homem. Com todo respeito, esse ai não valia nada", disse Duquinha. O episódio foi registrado pela TV Assembleia do Ceará.
À reportagem, o deputado confirmou a história. "Disse e assino embaixo", afirmou. "Ele não prestava mesmo. Pode dizer em seu jornal aí", disse novamente sorrindo. "Era um mentiroso e só fazia inimigos". Questionado se não seria um desrespeito fazer o comentário no dia seguinte à morte do radialista, Ducca disse que "falava com ele vivo e falo com ele morto. Tanto faz".
Ely Aguiar lamentou o episódio. "Foi um momento infeliz", disse ele, lembrando o aumento da prática de pistolagem contra jornalistas e radialistas. "Isso é uma prática nefasta que não se deve aceitar de forma alguma. Existem os meios legais de se reclamar quando algum jornalista se excede", disse.
Duquinha é irmão do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), citado pelo delator da operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa, como emissário do presidente do Senado, Renan Calheiros, para cobrança de propinas junto à diretoria de Abastecimento.
Os irmãos, que têm fama de truculentos no Ceará, têm base eleitoral na região de Acaraú, no noroeste do Estado, a 253 km de Fortaleza, onde Gleydson Carvalho já trabalhou.
Na década de 1990, ambos foram processados, suspeitos de serem mandantes da morte do prefeito da cidade, João Jaime Ferreira Gomes, que anos antes havia denunciado os irmão s por desvios de recursos esquema de propinas e assassinatos. Questionado, Duquinha afirmou que o processo foi arquivado. "Tá arquivado. Não misture as coisas não, cara".


Estadão

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